sábado, 6 de janeiro de 2018

Bernadete Trovoada



Entre playgrouds e pula-pulas
Entre trepa-trepa e amarelinha
Entre esconde-esconde e gato mia
Ela corria... Ela sorria...
Bernadete, se esconde...
Bernadete sorri
Bernadete caiu.
Mas levanta-se. Levanta-se e pensa
Por que tenho que te pensar como adulta?
Por que essa diferença injusta?
Por que não sou merecedora?
Por que o sol dourado das manhãs não sorriem para mim?
Olhando o redentor, ela chora, chora de um lamento só dela.
Oculto que só ela...
Faz uma pacto.
Pensa: Toda vez que chover, olharei ao redentor e pedirei a Deus que a chuva cesse.
E assim, no colo de sua mamãezinha ela adorme
Assim nasce Bernadete Trovoada.
Filha do vento e do tempo
Filha do ontem e do amanhã

Com a esperança de um dia, de cada dia, caia uma chuva cheia de alegria.
LOS BUENDIAS

Personagens reais de vidas passadas
Para quê precisamos de formatos e formas
Se o que somos nos faz presente de nós mesmos?
Telas, planos, quadrados e esquadros
Qual o sentido da vida se não houver arte?

Traçar o limiar das estrelas
Poder enxergar as estrelas
Sublimar e ver ao horizonte
Se impressionar por lembrar que sua cabeça gira como um carrossel 
E ir no contra-fluxo

Sem precisar de torcida
Apenas o silencio

O silencio da artista.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Anedota para Ana


Para Ana Maria Olivieri

Lud-tica
Tica-Ludíca
Cata tua dica
Vai refazendo a refazenda
Vai segurando o angu
Atravessando Bangu
E Realengo, e Nilópolis e Andaraí e Irajá.
Vai pra lá e pra cá,
E de fato não está
Está quando quer, está... Quando está!
Toc-toc... Bate a porta...
Será o vizinho?
Será que quer café?
Será que quer...
Não, ela não está.
Mas de fato está.
Apenas tecendo as linhas que sua avó tecia
Apenas teclando o que o pai queria...
Ah, o que o pai queria...
Queria autora
Queria escritora
Queria Cecília...
Tica-Ludíca
Cata tua dica
Vai refazendo a refazenda
Vai segurando o angu
Atravessando Bangu
E Realengo, e Nilópolis e Andaraí e Irajá.
Vai pra lá e pra cá,
E de fato não está
Está quando quer, está... Quando está!
Toc-toc... Bate a porta...
Será o vizinho?
Será que quer café?
Será que quer...
Não, ela não está.
Mas de fato está.
Só está para sua mãe... 
Apenas tecendo as linhas que sua avó Célia tecia
Apenas teclando o que o pai queria...
Ah, o que o pai queria...
Queria autora
Queria escritora

Queria Cecília...

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Resistismos feminimo

Igualdade de gênero
Igualdade racial
Igualdade social
Palavras firmes, porém ocas, palavras fortes e possivelmente desbarates...
Por mares e marés ainda a serem desbravados.
Por navios nunca dantes navegados
Por homens que nos acorrentam
Por mulheres que lutam. Lutam por pão, lutam por casa, lutam para saciar a fome de seu filho, de seu irmão.
Mas que fazem elas se não buscar sua luz, sua vida, sua trilha?
Trilha essa árdua, árdua, árdua...
Autoria não é crime, mas é roubada a cada segundo, a cada instante.
A cada milésimo de segundo, sentimo-nos perseguidas, pelo ódio, pelo asco que se faz ser masculino.
Dualidade, fatalidades...
Duetos, lutas, espadas, mas pergunto-me: não seria melhor as flechas?
Apontadas para cima, adiante a cada clima, olhando em seu companheiro que passa um olhar fraterno de irmandade, de fraternidade.
Catarina, Carolina, Feliciana, Laluska...
Todas uma, Uma por todas.

Todas por uma.


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Bom senso

Vai voando...
Voando por aí, por onde queira
Vai mas vá com calma.
Pois, correndo, meu coração,
Meu coração não aguenta.
Vai de moto... Mas vá com calma.
Volte.
Silenciar é importante.
Câmbio
Vai lá, resolve lá....
Volta, volta, pensa ela.
Continua a ler.
Mas continua a calcular.
Matemática, raciocínio lógico e demasiadas demandas.
Mulheres...
Ah, como somos complexas mas ao mesmo tempo intensas.
Somos poetizas
Somos rios e mares
Somos o que somos,

E, não admitimos desmandos.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Noite (in)Feliz
A noite das crianças,
A roda gigante das emoções,
Os cavalinhos girando, as luzes piscando.
Os sapatinhos para fora de casa.
O caos da esquina, do bar, da Lapa...
As bagunças de uma volta, uma volta de não ida...
Ter que parar para um toailete
Ter que comer um spaghetti
Ou um nhoque
A bologhesa... Ou a parmediagia... Ou aos quatro queijos
Ou quem sabe, voltar a si
Lembrar de ti
Para sempre
No embalar do consolo das lágrimas
Mas sempre a meu lado
Sempre feliz, sempre reluzindo sua luz
Louca sou eu
Louca é você
Somos ou não somos?!
Sapatinhos de cristal
Sapatinhos de cetim

Sapatinhos e sapatilhas
Para sempre nas esquinas

O valor das coisas

Qual é o verdadeiro valor das coisas?
Aquele que cruza a esquina trás no peito sua dor
Da mesma forma, os imperadores carregam sua cruz.
Cruz de não saber de que lhes adianta a prepotência.
Prepotência que assasina nossos corações.
Prepotência que não tem limites
Arrogância ininterrupta.
O muro que os separa é limítrofe, é pequeno.
Porém, abissal...
Permear-se por valer-se de um castelo de vidro.
De que vale ter um castelo, se ele pode ser quebrado?
Mais vale erguer uma casinha simples, mas concreta, com tijolos e uma rede para esticar-se.
Mais vale olhar ao horizonte e planejar com cautela.
Ter a certeza de que você é livre para fazer suas escolhas.
Saber ter paciência de esperar pelo amanhã.
Entender que o hoje é ouro.
Voar por entre naves e espaçonaves trás seu conforto.

Mas desfrutar de uma bela paisagem ao trilho de trem pode ser uma forte entrega aos olhos.