Manual “Sebastiana quebra-Galho” Como se devolver um uniforme Anos depois, a filha ainda pensa na logística Moto ou Uber Uber ou Moto Busão… Metrô Entrega. Mapas de Transporte… Protocolo. QR Code. Tudo muito moderno. Mas existe uma cena paralela acontecendo na imaginação. Nela, Francisco Simões ainda está vivo. A filha comenta: — Preciso devolver um uniforme. Francisco responde: — Onde? — Catete — Ok Fim da conversa. No dia seguinte, o carro pára em frente ao estabelecimento. Não necessariamente em uma vaga. Detalhes burocráticos jamais foram o ponto forte da operação. Pisca-alerta ligado. Porta abre. Porta fecha. Passos rápidos, largos e um tanto quanto desengonçados. Entra. Olha em volta. Silêncio absoluto A atendente do estabelecimento pergunta simpática — Posso ajudar? Francisco responde: — Quem é o gerente? Aparece o gerente. Talvez Bruno Talvez Leonardo Talvez Pedro Talvez outro… Não importa. Francisco entrega o pacote devidamente embalado em um saco plástico com uma etiqueta escrita: — Uniforme da Ludmila. Pronto. Missão cumprida. Nenhuma explicação. Nenhum discurso. Nenhum desabafo. Nenhuma análise sobre gestão de pessoas. Nenhuma observação sobre RH. Nenhuma consideração sobre clima organizacional. Nada. Ele vira as costas. Sai. Entra no carro. Bate a porta com a força regulamentar de um pai indignado. Liga o motor. Vai embora. Rapidamente. Muito rapidamente. Talvez rápido até demais. A ponto de alguém dentro da unidade perguntar: - Quem era? Outro funcionário olha pela janela. O carro já está dobrando a esquina. - Não sei. - Mas acho que era alguma coisa da Ludmila. Fim. Ou, como diria Francisco Simões: Problema resolvido.

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