Ludmila e sua Lua em Peixes

Quando alguém me pergunta se eu entendo de astrologia, eu respondo: — Um pouco… Mentira… Entendo mais que um pouco. Minha mãe é astróloga e das boas! Fez como complementação de seus estudos para entendimento da mente de seus pacientes. É Fonoaudiologa, psicomotricista e psicopedagoga e pensou que estudar coisas místicas seria bom para o entendimento do paciente como um todo. A verdade é que eu sei mais do que um pouco. Devorava seus livros e suas mandalas fazendo todos MANUALMENTE. Sim, Canetinhas coloridas Setas, Esquadros e Metas. Combinações variadas e sofisticadas. Oferecia Mapa Astral à todos meus amigos de Escola e parava o recreio. Na fila da cantina ali ficava eu com meus papeis já prontos tendo que me concentrar para em 30 minutos atender a pelo menos, 10 deles. Conforme fui crescendo, desenvolvi essa habilidade com as cartas de Tarot e nas produtoras que trabalhei sempre minhas amigas e colegas vinham com a mesma pergunta: “Você entende de astrologia?” Sempre respondo: "Um pouco" Meio tímida e também sabendo que vão querer saber mais e mais sobre o que os céus têm a nos dizer. Aí vem a pergunta clássica: — Qual é seu signo? E eu respondo. Mas minha devolutiva costuma ser outra: — Você sabe sua Lua? Porque quando a pessoa responde: — Lua em Peixes. Eu já dou aquela risadinha. A pessoa também. Porque quem tem "Lua em Peixes" geralmente entende imediatamente. É o departamento oficial de revisitação do passado. A gente não lembra. A gente revisita. Não recorda. Reabre o arquivo. Não supera. Produz uma minissérie. A pessoa fala: — Terminei faz três anos. E a Lua em Peixes responde: — Sim, mas vamos analisar aquela conversa de 17 de março de 2022 pela quadragésima vez. É cansativo. É dramático. É meio ridículo. Mas também é humano. Porque junto com o drama vem a memória. Junto com a memória vem a sensibilidade. E junto com a sensibilidade vem a capacidade de enxergar histórias onde outras pessoas enxergam apenas fatos. O problema é quando a gente esquece de fechar o livro. O emprego CLT vira capítulo. O capítulo vira trilogia. A trilogia vira coleção. E de repente a pessoa está discutindo com fantasmas que já nem trabalham mais lá. Talvez crescer seja isso. Não esquecer. Mas arquivar. Não negar. Mas seguir. Como diria pai Francisco já entrando na roda e sem tocar seu violão: "Justo no justo." Recebeu. Aprendeu. Doeu. Passou. Próximo capítulo. Porque a Lua em Peixes adora olhar para trás. Mas a vida, felizmente, continua acontecendo para frente.

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